A Bíblia, como qualquer outro livro da antiguidade, contem
algumas passagens que são de difícil interpretação. E mesmo com tanto progresso
exegético e hermenêutico, ainda assim, em alguns casos específicos, a busca
pelo real significado do texto é uma tarefa árdua.
Dos muitos textos bíblicos que tiram o sono dos teólogos,
existe um que simboliza toda esta questão. O texto é I Pedro. 3.17-20. Assim
está registrado:
“Porque melhor é
sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal.
Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos,
para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no
espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro
tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé,
enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram
através da água.”
Este é o tipo de texto em que devemos tomar muito cuidado,
justamente por causa da sua falta de clareza. Uma das regras da hermenêutica
bíblica, desenvolvida por Agostinho (354-430 d.C.), serve muito bem de alerta
contra a tentação de apoiar uma doutrina em um versículo enigmático. A nona
regra de Agostinho, conforme resumo de Ramm, preza que “se um significado de um
texto é obscuro, nada na passagem pode constituir-se matéria de fé ortodoxa” .
Esta regra é tão bem fundamentada que nunca foi descartada e ainda esta em
voga. Norman Geisler, renomado teólogo da atualidade, afirma que é um grande
erro “basear um ensino numa passagem obscura”[2].
A primeira proposta que deve ser descarta como herética, é a ideia
equivocada de que Jesus foi ao inferno para dar uma segunda oportunidade aos
incrédulos que morreram em iniquidade. Mas alguém crê nisso realmente? Sim. Este
é o caso dos universalistas, mas principalmente dos mórmons, que acreditam
baseado neste versículo que as pessoas têm uma segunda chance de serem salvas
após a morte, afinal, um Deus realmente amoroso deve ser capaz de oferecer uma
outra oportunidade as pessoas no sentido delas poderem mudar de decisão.
É muito comum ouvirmos em pregações, principalmente quando o
tema é batalha espiritual, uma expressão que diz: “Satanás é tão pobre que nem
a chave de sua casa (inferno) ele tem mais”. Esta expressão popular está
intimamente associada com a idéia da ida de Cristo ao inferno. Muitos entendem
que Jesus em sua rápida passagem pelo inferno proclamou a vitória da redenção,
e de quebra tomou das mãos de Satanás as chaves do inferno e da morte.
Devemos mais uma vez rejeitar esta posição alegórica, pois o
texto de I Pe 3.19 não diz isto claramente. E os versículos que tratam das chaves da morte e do inferno, nenhum,
absolutamente, associa estas chaves como pertencentes a Satanás. “Somente o Senhor
possui as chaves da morte e do inferno. Ninguém mais!” Esta soberania está explicita em textos como
Mt. 16.19, que diz que a chaves do reino dos céus foi entregue por Jesus aos
apóstolos. E também em Ap. 1.18, texto em que o próprio Jesus declara que as
chaves da morte e do hades (NVI) pertencem a ele. Em nenhum momento Jesus diz
foi ao inferno (ou até mesmo a bíblia), e precisou roubar as chaves das mãos de
Satanás, uma vez que este ser angelical nunca as teve em suas mãos .
Primeiramente, esta idéia pressupõe que Deus não deu
oportunidades as pessoas antes de elas morrerem, ou que simplesmente não houve
tempo suficiente para o indivíduo tomar uma decisão, e isto se trata
evidentemente, de uma especulação sem nenhum fundamento. Em segundo, a bíblia
não dá suporte a esta idéia. O texto de
II Pe 3.9 declara que Deus esta aguardando, mediante sua logaminidade, o
arrependimento dos homens, e isto quer dizer que ninguém pode alegar falta de
tempo.
Um outro testemunho bíblico bastante incisivo, que refuta esta idéia
de que não houve oportunidades antes da morte, foi elaborado pelo apóstolo
Paulo em Rm. 1.20, que diz que a verdade de Deus esta claramente revelada
através da obra de sua criação, portanto todos são indesculpáveis. E para
aumentar ainda mais a responsabilidade do homem em relação às imutáveis leis de
Deus, Paulo enfatiza, mas também amplia a idéia de Rm 1.20 em Rm 2.15,
declarando que Deus colocou sua lei moral na consciência de todos os homens,
tanto judeus, que tinham a lei escrita, quanto gentios, que não a tinham.
Segue-se ainda o fato da bíblia, sem qualquer chance de interpretação dúbia,
declarar “que aos homens está destinado morrer uma só vez e depois vem o juízo”
(Hb 9.27, ver também Lc.16.26).
Conclusão:
A pergunta que não quer calar agora pode ser respondida.
Jesus desceu ao inferno? A resposta é não. Verificamos que há muitos problemas
em adotar esta concepção e o testemunho do restante da bíblia não o apóia
definitivamente. Como afirma Wayne Grudem, é no mínimo confusa e, na maior
parte dos casos, enganosa para os cristãos de hoje.
Opinião:
Como diz a bíblia: Toda a Escritura é divinamente inspirada, e
proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em
justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para
toda a boa obra. (2Tm 3: 16-17) e As coisas
encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a
nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta
lei. (DT 29:29).
Como a bíblia não diz que Jesus tirou a
chave de satanás mas diz claramente que Ele “possui” a chave do Céu e do
Inferno; creio que esta claramente revelada e a mim pertence o entender e o
cumprir todas as palavra desta lei. Amém
Fonte: Curiosidades bíblicas

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