Modelos
como G12, M12 e MDA (Modelo de Discipulado Apostólico) priorizam números,
números, números... Seus líderes “decretam” que São Paulo é de Jesus Cristo,
que pelo menos 50% de Belo Horizonte já são do Senhor, etc. Mas Jesus não
prioriza crescimento numérico! Ele mesmo — que disse “Entrai pela porta
estreita”, asseverando que poucos são os que a encontram (Mt 7.13,14) —
“dispensou”, ao apresentar à multidão que o seguia por interesse um “duro
discurso” (Jo 6.60-66). E Ele estava disposto a “mandar embora”, por assim
dizer, os doze apóstolos que restaram, caso não quisessem entrar pela “porta
estreita”, mas Pedro disse: “para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida
eterna” (vv. 67-69). Embora Deus valorize o crescimento numérico, Ele prioriza
o crescimento na graça e no conhecimento do Senhor Jesus.
Se modelos de crescimento
como G12, M12 e MDA são tão bons e eficazes, gerando milhões e milhões de
pessoas devidamente discipuladas, por que não vemos uma mudança real no
comportamento da cristandade brasileira? Onde estão os resultados do tão
festejado reavivamento do MDA, por exemplo? Se os cristãos “produzidos” em
células e encontros são tão especiais e diferentes dos que frequentam igrejas
históricas, tradicionais — que ainda utilizam o “ultrapassado” modelo EBD
(Escola Bíblica Dominical) —, onde está o reflexo desse resultado “tremendo” na
sociedade brasileira, que vai de mal a pior?
Onde está a igreja de Atos
dos Apóstolos, que abalou o mundo por ser cheia do Espírito Santo e de
sabedoria e, principalmente, por ter uma boa reputação perante a sociedade? Aquela,
sim, crescia espiritual, numérica e geograficamente (At caps. 2-13). Sim,
reconheço que as igrejas históricas, tradicionais, poderiam fazer muito mais
pela evangelização do mundo e pelo discipulado. Mas, por que, em vez de
combatermos a falta de engajamento, temos de adotar modelos de crescimento
prioritariamente numérico?
A bem da verdade, o MDA, o
M12 e o G12 não são idênticos. Mas esses modelos de crescimento
prioritariamente numérico são muito semelhantes. Eles — que pregam um tipo de
universalismo — acreditam que, à semelhança de um “rolo compressor”, vão
conquistar e dominar o mundo. E, por isso, empregam declarações de fé,
“decretos”, como “O Brasil é do Senhor Jesus”. Eles têm alcançado muita gente
em razão de oferecerem um evangelho-show, que diz às pessoas o que elas desejam
ouvir.
Sinceramente, prefiro o
Evangelho da cruz! Prefiro a mensagem “antipática” de Jesus: “Arrependei-vos”.
Prefiro o crescimento numérico lento e gradual, mas verdadeiro, ao crescimento
rápido e “extraordinário” dos mencionados modelos. Prefiro entrar pela “porta
estreita” e andar pelo “caminho apertado” que conduz à vida eterna. Respeito a
opinião de todos os leitores, até mesmo dos mais exaltados. Mas não tenho medo
de dizer: Deus reprova o evangelho-show! Por quê?
Porque o Evangelho deve ser
comunicado, não da maneira que as pessoas desejam ouvi-lo, e sim da maneira que
precisam ouvi-lo. O evangelho do entretenimento não produz verdadeiros
discípulos de Jesus, como ordena a Palavra do Senhor, literalmente, em Mateus 28.19:
“fazei discípulos de todos os povos”. O falso evangelho-show desvia as pessoas
da verdade. Ele as distancia da Palavra de Deus e as aproxima do mundanismo.
Ele integra, admito, e induz os jovens a dançarem, a balançarem o corpo, a se
divertirem, a se alegrarem, a se exibirem, a serem “o povo mais feliz da
terra”... Mas estes — ainda que não admitam — continuam vazios, pois o que dá
prazer realmente é andar segundo a lei do Senhor (Sl 1.1,2).
Sim, Deus reprova o
evangelho-show porque este oferece ao povo o que ele deseja, repito, assim como
fez Arão (Êx 32.1-6). Mas esse show precisa acabar. Voltemos a cultuar ao
Senhor Jesus em nossas igrejas! Com menos cantoria e mais louvor. Com menos
triunfalismo e mais pregação cristocêntrica. Com menos sofisticação e mais
simplicidade. Com menos performance gestual e mais quebrantamento do coração.
Com menos descontração e mais arrependimento.


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